• 4 de Agosto, 2022

Caso seja confirmada a decisão do BCE, pode haver um aumento nas prestações das casas.

A inflação não pára de subir na Zona Euro. Para colocar um travão nessa subida, o Banco Central Europeu (BCE) aumentou as taxas de juro. E este aumento poderá não ser o único ao longo deste ano. Esta subida terá, irá ter impacto nas taxas da Euribor que indexam quase todos os créditos habitação em Portugal, e, por conseguinte, na sua prestação da casa, que todos os meses paga ao banco. Mas será este impacto assim tão significativo?

O pânico instalou-se com o discurso de Christine Lagarde, presidente do BCE. Já que em novembro de 2021, referiu que seria “muito improvável” subir as taxas de juro em 2022, mas ao contrário das previsões na quinta-feira, dia 3 de fevereiro de 2022, aumento esse que acabaria por acontecer no passado dia 21 de Julho 2022.

Esta possível mudança na política monetária no curto prazo já despertou reações entre economistas e analistas pela Europa. E já há previsões em cima da mesa.

Segundo referem os bancos internacionais como o Goldman Sachs, o Deutsche Bank ou o Commerzbank, que acertaram no timing e valor (25 pontos) da primeira subida irá surgir um aumento igual em dezembro. Isto quer dizer que ao fim de dois aumentos, a taxa de depósitos passará dos atuais -0,5% para 0%, valor que não é atingido desde 2014.

A subida dessa taxa de referência do BCE é colocada em cima da mesa numa altura em que o Banco de Inglaterra e a Reserva Federal dos Estados Unidos (Fed) já anunciaram que vão subir os juros para travar a inflação nas respetivas economias. Mas, o regulador europeu deverá aumentar as taxas de juro de forma mais lenta e gradual do que os dois países.

Isto porque a origem da inflação no espaço europeu é também diferente, sendo sobretudo marcada pela escalada dos preços da energia, evolução essa que – ao que tudo indica – deverá ser temporária.

Subida dos juros terá impacto no crédito habitação?

Como é que a subida da taxa de juro BCE vai influenciar o crédito habitação?  Acontece que as “taxas de juro oficiais têm um papel crucial na formação das taxas de juro de curto prazo do mercado monetário interbancário da área do euro”, esclarece o Banco de Portugal. Entre as quais está a Euribor. Isto significa que a subida das taxas de juro pelo BCE vai automaticamente impulsionar evolução das taxas Euribor a 3,6 e 12 meses, às quais estão indexados os créditos habitação com taxa variável. Como resultado, poderá haver subida das prestações mensais a pagar ao banco. Há por isso quem esteja a ponderar mudar de taxa variável para taxa fixa.

Os economistas preveem que o mercado irá tentar a antecipar as subidas das taxas de juro e, por isso, deverá observar-se um aumento das taxas Euribor ao longo do ano. Esta mudança deverá sentir-se nos empréstimos da casa nos próximos anos, já que o impacto previsto para 2022 não seja relevante.

E qual o impacto destas mudanças no crédito habitação nos próximos anos?

Os economistas apontam para que as taxas do Euribor continuem terreno positivo no próximo ano.

No caso da Euribor a três meses, a média anual deverá atingir terrenos positivos em 2023 e deverá continuar a subir em 2024, mas para um valor inferior a 1%.

No caso da Euribor a 12 meses,  espera-se que “lá para 2025, quando as taxas já estiverem a níveis de 0,5% ou até 1%, o impacto no crédito habitação vai ser enorme”. E, segundo os seus cálculos, se o indexante subir para 1% vai representar o dobro da taxa de juro para quem tiver um spread de 1%.