• 23 de Outubro, 2022

Aumento de 13.2% no segundo trimestre deste ano, em comparação com o
mesmo período do ano passado é a maior subida de que há registo no preço
das casas em Portugal.

Considerando esta subida como o maior aumento de sempre no segundo trimestre, este é um cenário que não assusta o negócio imobiliário que, apesar dos preços elevados, as vendas acontecem muito rapidamente. De acordo com os dados estatísticos divulgados no dia 22 de setembro pelo Instituto Nacional de Estatística, as vendas também estão a atingir máximos
históricos num total de 43.000 casas vendidas no valor a rondar os 8.3 mil milhões de euros.

Imóvel novo ou usado?

De acordo com o INE, o aumento dos preços foi mais visível, nas casas antigas (14.7%) que nas novas habitações onde o aumento foi de 8.4%. Desde o fim da pandemia que o mercado imobiliário em Portugal registou uma entrada forte nos novos imóveis, contudo, esta tendência nestes tem vindo a baixar de forma muito substancial, no entanto, a procura não
tem dado sinais de abrandamento.

Um dos fatores que pode explicar uma maior preferência pelo imóvel usado, é o facto de existir, neste momento, uma maior oferta de unidade no mercado além do seu valor mais baixo quando comparados a imóveis novos.

Neste último ano, vem-se verificando uma grande volatilidade no preço das matérias primas o que cria enormes dificuldades às construtoras na hora de executar uma obra. Este pode também ser um motivo que pode explicar a preferência dos compradores.

Quem compra a este preço?

Se o aumento do turismo em Portugal aliado ao valor elevado das casas o leva a pensar que quem compra estes bens são os estrangeiros, engane-se, embora os compradores estrangeiros considerem que estes preços são acessíveis para as suas carteiras, segundo o INE, são os portugueses com idades compreendidas entre os 35 e os 55 anos que estão em
maior número no que toca à aquisição destas habitações.

Qual o impacto nas taxas de juros?

Esta subida das taxas de juro, tem naturalmente, repercussões no mercado imobiliário em Portugal com um custo no crédito que está a aumentar significativamente, e que se pode pensar que terá um impacto nos preços dos imóveis tornando o mercado imobiliário português menos líquido, com menor oferta, e com habitações a preços substancialmente mais altos.
Com o mercado onde cada há cada vez menos oferta e com uma procura muito grande, a subida das taxas de juro impulsiona a queda das taxas de esforço por parte dos bancos, o que pode fazer com que o acesso das famílias portuguesas ao crédito à habitação se torne (ainda) mais difícil.

Comprar agora ou esperar?

Com o aumento do preço dos imóveis é inquestionável a pergunta sobre se é aconselhável comprar casa agora ou esperar pela baixa de preço. Independentemente de não haver uma resposta acertada, não há dúvida que o mercado imobiliário é uma verdadeira fonte de incerteza para os compradores.

Esta incerteza pode ser cansativa e motivadora de stress para quem quer comprar uma habitação. Adquirir um imóvel se tiver condições para o fazer é um ponto a considerar, pois assim, evita passar por uma (ainda maior) subida incontrolada dos preços das habitações derivada do aumento do turismo, que tem vindo a aumentar de ano para ano, a escalada do
preço das matérias primas que nos últimos tempos não tem dado tréguas aos construtores, o preço da energia que, com os efeitos da guerra não pára de subir, entre outros custos.

Com o aumento da inflação a impulsionar a subida das taxas de juro, é muito provável que os portugueses percam algum poder de compra, ora, com esta perda de compra, os créditos tornam-se mais caros, logo, menos acessível à generalidade dos compradores de habitação própria e permanente.

Com um poder de compra menor, a probabilidade de os preços corrigirem em baixa é maior, caindo os preços, pode ser também uma boa opção esperar para comprar casa. Independentemente do ciclo imobiliário em que nos encontramos e da correção que os preços possam vir a fazer, verifique fundamentalmente para aquilo que necessita e seu prazo temporal (curto ou longo prazo) que vai necessitar da sua casa.