• 15 de Fevereiro, 2023

Com as alterações do novo orçamento de estado, as taxas de juro a subir e num cenário de inflação, será vantajoso amortizar o crédito?


Pagar um empréstimo em 25 ou 30 anos pode ser, para muitas famílias portuguesas, um prazo muito longo, além disso, esta é uma despesa que, por norma, é a que mais pesa no orçamento familiar. Por isso, é natural que quando se tem algum dinheiro poupado, se pense logo em reduzir ou eliminar este encargo.


Além de significativo, esta dívida ou empréstimo impede que a maioria das pessoas possam solicitar novos créditos para outros projetos. Daí a necessidade e o desejo de antecipar o pagamento do crédito, pois ao fazê-lo, está a reduzir a duração do mesmo sendo possível reduzir também o valor dos juros e fazer poupanças significativas.

O que é amortizar o crédito?

É o processo que consiste em pagar uma parte da dívida antes da data prevista. Um empréstimo é dito depreciável quando os vencimentos incluem uma parte destinada ao reembolso do capital emprestado e uma parte dedicada aos juros calculados sobre o capital remanescente em dívida. No início dos contratos, uma pequena parte corresponde à amortização do capital, o que estará a pagar são sobretudo juros. Se tiver uma taxa variável, e dado que as taxas estão a subir, acaba por sentir mais o impacto deste aumento.

A amortização do crédito, também designada como reembolso antecipado, é o reembolso progressivo, em cada data de vencimento do valor emprestado. Quando o reembolso é feito mensalmente, que é o caso mais comum, falamos então de “mensalidades”. Se o reembolso for anual, chamamos de “anuidades”.


Tipos de amortização

  • Parcial – consiste em reembolsar parte da dívida na altura que quiser e no montante que desejar. Deve, no entanto, avisar a instituição bancária com antecedência antes de o fazer. Após enviar a notificação, o banco deve informar o cliente sobre o impacto do reembolso no crédito. Ao amortizar, o valor da dívida irá ser menor, logo, o valor mensal também baixará.
  • Total – se tiver a possibilidade de pagar o valor restante em dívida do crédito antes do final do contrato, pode fazer o chamado reembolso antecipado total. Terá, na mesma forma, avisar a instituição de crédito com 10 dias de antecedência para proceder ao pagamento.

    Quais são os custos se eu quiser amortizar o crédito?

    Por norma, os bancos cobram uma comissão pela amortização, seja ela parcial ou total. Os
    limites máximos destas comissões são definidos por lei:
  • 0.5% do capital reembolsado, no caso dos contratos com taxa de juro variável;
  • 2% do capital reembolsado, no caso dos contratos com taxa de juro fixa.

    IMPORTANTE: O novo Orçamento de Estado aprovado no final do ano de 2022 (OE2023) adotou uma medida excecional onde permite aos portugueses, que avancem para a amortização antecipada do crédito à habitação, ficarem isentos de penalização sobre esse reembolso, até final de 2023. Mas atenção, estas condições colocam-se apenas nos casos dos contratos de habitação própria e permanente, ou seja, as segundas habitações ficam excluídas. Ficam também excluídas desta medida do governo: os empréstimos até 300 mil euros e os créditos com taxa de juro fixa.
    O que deve considerar antes de proceder à amortização de um crédito, é recomendável que faça uma análise às suas finanças pessoais. Afinal, o reembolso nunca deve pôr em causa o orçamento familiar
    ou as suas economias. O aconselhável é ser disciplinado e garantir que o dinheiro que está a pensar direcionar para uma amortização, seja ele que tipo for, não deve ser usado para outros fins. Para tal, assegure-se que cumpre algumas condições antes de efetuar o reembolso antecipado.
  • Tem um fundo de emergência para cobrir pelo menos 3 a 6 meses de despesas;
  • Que não tem outras dívidas com taxas mais altas que a sua hipoteca, fará mais sentido saldar em primeiro lugar as dívidas que tenham os juros mais altos. Numa altura em que as taxas tendem a subir, é importante reduzir o peso dessa despesa;
  • Os seus outros objetos financeiros não são afetados pela amortização;
  • Tem outras formas de economia ou rendimento extra.

    Amortizar o crédito: é uma boa opção?
    Mesmo que à primeira vista pareça uma boa ideia amortizar o valor do crédito ou parte dele de modo a reduzir despesa, é necessário ter alguns aspetos em atenção como o estado do mercado, custos inerentes, taxas de juro, ou seja, perceber se essa amortização terá um impacto significativo no crédito. Neste momento, se os tópicos a considerar acima referidos estão salvaguardados e considerando a conjuntura económica do país onde as taxas Euribor continuam a atingir valores elevados, e a inflação em alta, então amortizar o seu crédito pode ser algo a considerar.

    Nesta altura, ter o seu dinheiro parado no banco ou num depósito a prazo não é a melhor opção, este tipo de depósito não compensa, devido ao facto de serem produtos em que os benefícios são praticamente nulos. Ter o dinheiro em casa ou no banco é sinónimo de prejuízo pois a inflação aumenta, mas o seu dinheiro não. Portanto, se o seu poder de compra diminuir juntamente com o seu orçamento familiar, então será interessante pensar em aplicar algumas das suas poupanças para tentar amenizar essa tendência.

    Ao amortizar um crédito, tem a possibilidade de ganhar uma folga financeira, ao reduzir o capital em dívida, reduz a prestação mensal ficando numa situação financeira mais confortável. Por outro lado, se tiver uma taxa de juro baixa, amortizar pode não ser a melhor opção. Basicamente, quanto mais altas forem as taxas de juro, mais pode economizar ao efetuar um reembolso, se a taxa de juro for baixa, dificilmente a amortização valerá a pena. Porquê? Porque o valor mensal pode não diminuir da forma que desejaria e, assim, uma amortização parcial não ser uma boa solução. Uma solução para este cenário pode passar por investir esse dinheiro em outros produtos financeiros com capital garantido e de resgate imediato.

    Vantagens e desvantagens das amortizações

    Vantagem
  • A grande vantagem ao amortizar é que reduz a despesa mensal dando um alívio financeiro no orçamento familiar. Ao proceder ao reembolso antecipado, está a diminuir os juros do crédito originando uma redução das prestações mensais;
  • Pode também reduzir o valor do seguro de vida que está a pagar;
  • Quem tiver um empréstimo indexado à Euribor poderá sentir um aumento na prestação mensal. Se o seu crédito tem uma taxa de juro variável, amortizar pode ser uma boa forma de combater essa subida ou pelo menor equilibrar a balança; Pagar a maior dívida da sua vida dá-lhe também a sensação de dever cumprido e uma paz de espírito.

    Desvantagem
  • Em 2024, se o governo não prolongar a medida aplicada no OE2023, poderá ter de enfrentar algumas despesas na amortização. Se tiver uma taxa variável, pode contar com o pagamento de 0.5% sobre o valor que do reembolso, se o crédito tiver uma taxa fixa, a percentagem sobre o valor da amortização sobe para 2%. Resumindo, quanto mais amortizar, maior será a despesa inerente.
  • Contratos celebrados antes de 2012, têm a possibilidade de deduzir até 15% dos juros que paga durante o ano, num limite máximo de 296 euros. Ao amortizar pode perder os benefícios fiscais.
  • Pode também ter algum impacto a nível psicológico, ao ver que acaba de gastar as suas poupanças, embora seja por uma boa causa, quando olhar para a carteira de poupança, o seu volume já não é o mesmo. Portanto, se existisse uma resposta única e concreta sobre a melhor altura para amortizar
    um crédito, a vida dos portugueses seria bastante mais simples. Muitos fatores pesam na hora de determinar se vale a pena ou não amortizar um empréstimo, e em que proporção. Após analisar o que leu anteriormente e se considerar que as condições são boas, então a amortização do empréstimo contraído pode ser uma boa opção, se não, espere por melhores condições para o fazer